domingo, 24 de março de 2013

Projeto de lei de Cristovam Buarque


Está tramitando pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, desde 2007, um projeto de lei da autoria de Cristovam Buarque que determina que todos os políticos eleitos matriculem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas até 2014.

O projeto de lei nada mais é do que uma afronta e um alarme aos políticos que cada vez menos investem significativamente em uma educação pública de qualidade. Optando a maioria por matricularem seus filhos em instituições particulares com mensalidades caríssimas, porém, que ofereçam uma melhor formação acadêmica aos seus descendentes, para que no futuro os mesmos consigam ingressar numa boa Universidade Federal.


A medida adotada vem para remediar diversos fatores que somente confirmam a ruína em que se encontra a atual educação pública brasileira. Com a divulgação das notas médias obtidas por todas as escolas brasileiras no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) de 2011, a situação precária do ensino público brasileiro só se mostrou cada vez mais no fundo do poço. A escola pública com maior média do DF encontra-se na 21ª posição, é o Colégio Militar Dom Pedro II, situado na Asa Sul.  E como era de se esperar, a pior colocação entre as médias obtidas no ENEM também ficou com outra escola pública, o Centro Educacional Taquara, situado na zona rural há poucos quilômetro da BR-020.

A porcentagem de alunos oriundos do ensino público nas Universidades Federais pelo Brasil também é outro dado assustador, podendo chegar a menos de 20% em alguns Instituições, como era o caso da Universidade Federal do Sergipe(UFS) antes que fossem aprovadas as ações afirmativas para alunos do ensino público. Como podemos perceber, o número de alunos vindos de escola pública que conseguem a aprovação em Instituições Federais é muito baixo se comparado àqueles oriundos do ensino privado. A maioria dos alunos que sonham em se formar em alguma Instituição Pública, recorre a cursinhos de pré-vestibular para conseguir isso. Já que a educação pública na maioria das vezes não é capaz de formar alunos com condições suficientes para disputar de igual para igual uma vaga em Instituições Federais com alunos de escolas privadas.

A recente aprovação da lei que cria as cotas para alunos que estudaram todo o ensino médio em escolas públicas é uma medida válida no que diz respeito à equiparação da desigualdade encontrada na realidade em que vivemos. Porém, com isso, o governo apenas tenta livrar-se da inerente culpa pelo precário atual ensino público, fazendo com que as Universidades Federais sejam entupidas por alunos cada vez menos preparados para o ensino superior  por conta da má qualidade do ensino público básico, tendo ainda que adequar-se  as novas regras sem  deixar de comprometer a qualidade do seu ensino.  

Obviamente, digo e repito, essa não é a melhor maneira de se melhorar a qualidade do ensino público. De qualquer forma, esse projeto é importante para chamar a atenção dos agentes públicos para a educação de péssima qualidade oferecida pela maioria das escolas públicas do país. É evidente, convenhamos, que dificilmente esse projeto de lei será aprovado no Senado, pelos diversos fatores que citei anteriormente. Mas o propósito real de chamar a atenção para o descaso encontrado nesse segmento parece ter sido alcançado, já que a repercussão da noticia foi imensa após a apresentação do projeto de lei por Cristovam Buarque no Senado.


Referências, fontes e informações adicionais:

Projeto de lei: 
Classificação das escolas do DF no ENEM 2011:
Vídeo interessante sobre a discussão das cotas para alunos de escolas públicas:

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